Faturamento da atividade de autopeças e acessórios, e das concessionárias de veículos já haviam batido recorde histórico em 2025. Envelhecimento da frota é um dos motivadores
Desde o ano passado, o Sindicato do Comércio Varejista de Taubaté e Região (SINCOVAT) tem alertado para o cenário de desaceleração das vendas do varejo da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte (RM Vale) diante de um cenário de juros elevados, inflação em patamar desconfortável, famílias endividadas e da própria base de comparação, já que o setor vem de um crescimento praticamente ininterrupto desde a reabertura pós pandemia.
Os juros altos, por tornarem o crédito e o financiamento mais caros, tendem a desestimular a compra de bens duráveis e é isso que se observa com a queda nas vendas de eletrodomésticos, eletrônicos, lojas de móveis e decoração e materiais de construção. Por outro lado, e contrariando essa lógica, as vendas de veículos e peças seguem crescendo na RM Vale. Em 2025, o faturamento das lojas de autopeças e acessórios e das concessionárias de veículos atingiram o maior patamar da série histórica iniciada em 2008. A primeira com uma receita de R$ 1,3 bilhão (0,1% em relação ao ano anterior) e a segunda com R$ 7,2 bilhões em vendas (0,5%).
A previsão de que, após essa relativa estabilidade e baixo crescimento, essas atividades registrariam um desempenho negativo, mas os resultados do primeiro trimestre surpreenderam positivamente.
As vendas das concessionárias de veículos cresceram 5,6% no 1º trimestre deste ano (último dado disponível) e as receitas das lojas de autopeças avançaram 4,5% na mesma base de comparação. Para se ter uma ideia, as vendas do comércio varejista recuaram 0,9% no mesmo período.

Vendas em alta resultam em geração de empregos e o mercado de trabalho dessas atividades também está aquecido. Em 2025, as concessionárias de veículos geraram 141 empregos com carteira assinada e encerraram o ano com um estoque de 3.795 vínculos celetistas, crescimento de 3,8% em relação ao ano anterior, e muito próximo do recorde histórico (3.814 empregos registrados em setembro de 2025). O segmento de autopeças e acessórios abriu 116 vagas formais e fechou o ano com 5.663 empregos formais, alta de 2,1% em relação a 2024.
As vendas de veículos têm apresentado um excelente desempenho desde meados de 2023, quando o governo concedeu incentivos fiscais para a compra de veículos de até R$ 120 mil. Ainda naquele ano, a chegada de montadoras chinesas e o aumento na oferta de carros elétricos e híbridos estimulou a concorrência e trouxe boas oportunidades para o consumidor com ofertas agressivas e boas condições de financiamento. Os juros altos e a forte base de comparação geraram uma perda de fôlego no ano passado, mas os números do 1º trimestre mostram uma retomada do setor, com as vendas acumuladas em 12 meses voltando para o campo positivo e mais uma vez, novos lançamentos, chegada de novos concorrentes e crédito subsidiado pelas montadoras surtem efeito positivo.
Entretanto, é importante destacar que esse aumento na venda de veículos tem sido insuficiente para promover uma renovação da frota de veículos da região, evidenciando que o alto custo dos veículos, principalmente pós-pandemia ainda é um grande obstáculo para a compra do carro zero km.
Levantamento realizado pelo SINCOVAT, a partir de dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram que a frota de veículos na RM Vale cresceu 35,2% entre 2016 e 2026. Entretanto, a participação dos veículos com até 5 anos de fabricação no total caiu de 17,7% para 10,6% e a de veículos com 25 anos ou mais saiu de 19,5% para 32,2% no mesmo período.
Esse é justamente um dos fatores que estimulam a venda de autopeças, já que veículos mais antigo precisam de manutenção de maneira mais frequente, e as peças a serem trocadas costumam ser de maior valor em relação a uma revisão de um veículo mais novo.
O 1º trimestre foi positivo, mas o cenário para o resto do ano segue desafiador. Além dos fatores macroeconômicos já mencionadas (juros, inflação, endividamento), as incertezas relacionadas ao cenário eleitoral costumam impactar a confiança do consumidor, fazendo com que eles adotem uma postura mais cautelosa em relação a tomada de crédito e comprometimento da renda por vários meses.



