Seis das nove atividades pesquisadas exibiram crescimento no faturamento em relação ao mesmo período de 2025
As vendas do comércio varejista na Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral atingiram R$ 6,5 bilhões em julho de 2026, leve alta real de 0,2% em relação ao mesmo período do ano passado, interrompendo a série de três quedas consecutivas nessa base de comparação. No acumulado dos últimos doze meses, houve recuo de 0,5%.
A análise é do Sincovat (Sindicato do Comércio Varejista de Taubaté e Região), feita com base nos dados da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), elaborada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) a partir de informações da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (SEFAZ-SP).

Os dados de julho confirmam o cenário projetado pelo SINCOVAT de que o varejo da região enfrentaria um processo de desaceleração e até mesmo queda nas vendas ao longo do ano, considerando a conjuntura de juros elevados, inflação ainda acima do teto da meta, famílias endividadas e inadimplentes, entre outros fatores que impactam negativamente o consumo. Vale ressaltar, porém, que não se trata de um cenário de terra arrasada considerando que também há uma forte base de comparação. O faturamento de R$ 6,5 bilhões foi o segundo maior da história para um mês de julho, ficando abaixo apenas do apurado em 2024. Além disso, três das nove atividades marcaram o maior faturamento para um mês de julho desde o início da série em 2008 (autopeças e acessórios; concessionárias de veículos; e lojas de vestuário, tecidos e calçados).
Três atividades exibiram queda nas vendas com destaque para eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos. As atividades que comercializam bens duráveis são as que mais sofrem em períodos de juros elevados e neste ano há o fator eleição que costuma tornar o consumidor mais cauteloso no comprometimento da renda futura. Um ponto que chama a atenção é que até mesmo os segmentos que comercializam bens essenciais de consumo mostram sinais de enfraquecimento (alimentos, medicamentos, higiene etc.) como aconteceu com as farmácias e perfumarias (-3,4%).

Os resultados do Comércio Varejista da RM Vale no período recente já eram esperados e antecipados pelo Sincovat. Diante de um cenário macroeconômico marcado por juros elevados, inflação que voltou a ficar acima do teto da meta, famílias endividadas e da forte base de comparação, uma desaceleração já era esperada. As vendas acumulam queda de 0,9% no acumulado do ano, e de 0,5% nos últimos 12 meses.
Em síntese, apesar da queda, o desempenho do varejo da região ainda não preocupa. A é expectativa é de alternância entre resultados positivos e negativos nos próximos meses. Se por um lado, o mercado de trabalho pode trazer novo fôlego para as vendas, de outro ainda temos uma conjuntura econômica desafiadora e as eleições tendem a afetar a confiança dos consumidores que costumam adiar a compra de bens duráveis aguardando sinalizações da política econômica em relação aos próximos anos.



