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SINCOVAT | Sindicato do Comércio Varejista de Taubaté e Região

Varejo da RM Vale abre 23 vagas formais em agosto, o pior desempenho da série histórica

Desaceleração das vendas e recuperação judicial das Casas Bahia influenciaram o resultado do mês

O comércio varejista da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte gerou apenas 23 empregos com carteira assinada em agosto, saldo de 5.739 admissões e 5.716 desligamentos. Foi o pior desempenho para um mês de agosto desde o início da série histórica em 2020. Com esse desempenho, o varejo do Vale encerrou o mês com um estoque de 118.290 vínculos celetistas, praticamente estável em relação a agosto de 2025.

Os dados são da Pesquisa de Emprego na Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, elaborada mensalmente pelo Sincovat (Sindicato do Comércio Varejista de Taubaté e Região) – com base nos dados do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED).

Os dados de agosto mostram que o varejo da região segue ajustando o quadro de funcionários em meio a um contexto de base forte de comparação, mas também de desaceleração das vendas. Ainda sobre o desempenho de agosto é preciso destacar dois pontos. O primeiro é que os dados de emprego no comércio varejista historicamente são positivos em agosto, pois é o mês que antecede a data base da convenção coletiva de trabalho (CCT) de algumas atividades varejistas, de modo que a demissão sem justa causa gera um custo a mais para as empresas. Assim, muitas empresas optam por aguardar o mês seguinte para fazer os ajustes no quadro de funcionários.

O segundo é o impacto da atividade de eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos que fecharam 105 postos de trabalho no mês, resultado que muito provavelmente está ligado ao pedido de recuperação das Casas Bahia que culminou no fechamento de lojas na região.

No mês, seis das nove atividades analisadas registraram mais admissões do que desligamentos de funcionários, com destaque para as lojas de móveis e decoração e para materiais de construção que abriram 18 e 81 vagas, respectivamente.

No acumulado dos últimos doze meses, apenas três atividades registraram aumento no estoque de trabalhadores e uma ficou próxima da estabilidade. O segmento de supermercados apresentou o maior crescimento proporcional, de 2,4%, empatado com autopeças e acessórios (2,4%), a qual atingiu o maior estoque de empregos da história em agosto (5.787 vínculos celetistas), seguidas pelas lojas de móveis e decoração (0,6%). Do lado negativo, o estoque de vínculos celetistas do segmento de eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos e das lojas de vestuário, tecidos e calçados recuaram 4,5% e 3,4%, respectivamente. Do gráfico abaixo, essa desaceleração do mercado de trabalho fica mais evidente.

Nas edições anteriores da pesquisa, o SINCOVAT já alertava para o cenário de desaceleração, tanto das vendas quanto da geração de empregos, algo natural após 4 anos de crescimento ininterrupto e de um cenário macroeconômico marcado por elevadas taxas de juros, inflação que segue em patamar desconfortável, inadimplência das famílias em alta, entre outros fatores que impactam negativamente o consumo. O setor chegou a exibir desempenho positivo em maio e junho (dias das mães e namorados), mas a conjunção de desaceleração econômica e forte base de comparação faz com que esse ajuste do quadro de funcionários seja mais intenso do que nos anos anteriores. Em agosto, há uma sazonalidade positiva, mas foi o pior desempenho para o mês desde 2020. A expectativa é de novo fôlego para o mercado de trabalho da região com as contratações para atender a demanda de fim de ano.