No mês de junho, saldo foi positivo com 340 vagas abertas, o que pode ser uma sinalização de que ajuste no quadro de funcionários acabou
O comércio varejista da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte gerou 340 empregos com carteira assinada em junho, saldo de 6.043 admissões e 5.703 desligamentos. Com esse desempenho, o varejo do Vale encerrou o mês com um estoque de 118.380 vínculos celetistas, representando uma alta de 1,1% em relação a junho de 2025.
Apesar do resultado positivo e de ainda manter um saldo de 1.269 postos de trabalho formal abertos nos últimos 12 meses, foi o pior resultado do setor no acumulado dos seis primeiros meses do ano desde 2020, ano da pandemia. Foram 1.590 empregos com carteira assinada eliminados no 1º semestre de 2026.

Os dados são da Pesquisa de Emprego na Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, elaborada mensalmente pelo Sincovat (Sindicato do Comércio Varejista de Taubaté e Região), com base nas informações do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED).

Diante de um cenário de desaceleração das vendas, o ajuste no quadro de funcionários do varejo da RM Vale, que normalmente se concentra no 1º trimestre do ano, se prolongou até maio em 2026.
Em junho, uma perspectiva de encerramento desse ciclo com oito das nove atividades analisadas registrando mais admissões do que desligamentos de funcionários, com destaque para as atividades ligadas ao setor de veículos. O varejo de autopeças e acessório abriu 45 vagas formais em junho e encerrou o mês com um estoque de 5.766 vínculos celetistas, maior número da série histórica. As concessionárias de veículos registram saldo de positivo de 30 empregos. Do lado negativo, apenas materiais de construção fecharam vagas em junho, 29 no total.

Conforme já destacado, o tradicional ajuste do quadro de funcionários que ocorre nos primeiros meses do ano, após o melhor período de vendas para o setor que é o Natal, foi bem mais intenso do que no ano passado, fazendo com o que mercado de trabalho varejista da RM Vale tivesse o pior desempenho para um primeiro semestre desde 2020, ano da pandemia.
A forte base de comparação justifica esse ajuste mais forte este ano, mas também é um sinal de desaceleração da geração de empregos em decorrência de vendas mais fracas. Com a chegada de datas comemorativas (dia das mães e namorados), férias de julho e temporada de inverno que atraem turistas para a região, e a chegada do segundo semestre, melhor período de vendas, os dados de junho indicam que esse ajuste se encerrou e os próximos meses podem mostrar reação.
No acumulado dos últimos doze meses, quatro atividades registraram aumento no estoque de trabalhadores e uma ficou próxima da estabilidade. O segmento de supermercados apresentou o maior crescimento proporcional, de 4,2%, seguido pelas autopeças e acessórios (3,2%) e lojas de móveis e decoração (1,6%). Do lado negativo, o estoque de vínculos celetistas do segmento de eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos e das lojas de vestuário, tecidos e calçados recuaram 3,0% e 3,4%, respectivamente. Do gráfico abaixo, essa desaceleração do mercado de trabalho fica mais evidente.

Nas edições anteriores da pesquisa, o SINCOVAT já alertava para o cenário de desaceleração, tanto das vendas quanto da geração de empregos, algo natural após 4 anos de crescimento ininterrupto e de um cenário macroeconômico marcado por elevadas taxas de juros, inflação que segue em patamar desconfortável, inadimplência das famílias em alta, entre outros fatores que impactam negativamente o consumo. A soma de desaceleração econômica e forte base de comparação faz com que esse ajuste do quadro de funcionários seja mais intenso do que nos anos anteriores, mas agora, a chegada do 2º semestre traz boas perspectivas de reação.



