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O nobre propósito dos figos: a inspiradora história de Takeo e Nobue, produtores de Taubaté

O nobre propósito dos figos: a inspiradora história de Takeo e Nobue, produtores de Taubaté

Vindos do Japão em meio ao movimento migratório que se intensificou após a Segunda Guerra Mundial, Takeo Kimura, hoje com 94 anos e sua esposa Nobue Kimura, 95 anos, desembarcaram no Brasil em 1956. O destino foi Taubaté, no interior de São Paulo, onde encontraram nas fazendas da região um novo começo. Ao longo de mais de seis décadas, dedicaram-se à agricultura — atividade que, com o tempo, não apenas garantiu o sustento da família, mas também trouxe prosperidade e raízes profundas em solo brasileiro.

Takeo imigrou ao Brasil quando tinha 24 anos de idade

“Como tantos outros imigrantes, meus pais chegaram ao Brasil sem recursos. O pouco dinheiro que tinham mal cobria os custos da viagem. Foi com muito esforço, trabalhando na agricultura, que começaram a prosperar. No início, atuavam nas lavouras de fazendeiros, substituindo a antiga mão de obra escravizada. Aos poucos, conseguiram economizar e, com o tempo, compraram um pedaço de terra, onde construíram nossa casa e nossa história”, conta Ricardo Kimura, um dos filhos do casal.

O jornalista Alexandre Andrade, do Sincovat, com o casal Takeo e Nobue, e seu filho Ricardo, na plantação de figos, em Taubaté, onde moram atualmente.

A vida no campo trouxe mais do que estabilidade financeira ao casal — foi também o berço de um novo sonho: cultivar figos, frutas de origem milenar no Oriente Médio. Atualmente, a plantação no Vale do Paraíba tem cerca de 500 pés de figo. Mas é a 2.730 quilômetros de distância que fica um pomar com mais de 6 mil pés.

Em 2019, aos 87 anos de idade, Takeu decidiu tirar do papel um antigo sonho: retribuir ao Brasil tudo o que conquistou por aqui e partiu rumo ao sertão cearense com um propósito nobre — levar o cultivo de figos e contribuir para o desenvolvimento da região de Tabuleiro do Norte, a 211 km de Fortaleza.

Takeo, em 2019 já na cidade de Tabuleiro do Norte-CE

“Eles dizem que o Brasil os recebeu de braços abertos e sempre tiveram a vontade de retribuir essa acolhida de alguma forma”, explica Ricardo. Na concepção de Takeo e Nobue Kimura, essa “retribuição” se materializaria “levando prosperidade ao Sertão”.

Hoje, depois de muito trabalho, a plantação de figo no Ceará já rende cerca de 120 toneladas por safra. O filho mais novo, Fernando Kimura, é o responsável pelo cultivo. ‘‘Estou com eles desde o começo nesse projeto e, graças a Deus, mesmo com dificuldades, estamos crescendo. A cada ano é um conhecimento a mais e acredito que o sonho do meu pai está ai – o pontapé foi dado,’’ comenta.

Nobue Kimura: a primeira mulher solteira a sair do Japão

Nobue Terazawa Kimura nasceu em 26 de julho de 1931, no sexto ano da Era do Imperador Showa Hiroito, na ilha de Miyake, distrito de Tóquio, Japão – conhecida por seus vulcões. Era a caçula de quatro irmãos. Aos 20 anos, deixou sua ilha natal para estudar Alta Costura e Design de Moda na renomada Bunka Fashion College, em Tóquio, instituição onde lecionaram nomes como Christian Dior e Pierre Cardin, e que formou estilistas como Kenzo e Yamamoto.

Em 1955, com 24 anos, decidiu imigrar sozinha para o Brasil, mas teve sua solicitação negada, pois mulheres solteiras não podiam viajar desacompanhadas. Inconformada, questionou o motivo da proibição e argumentou que, se homens solteiros podiam ir, mulheres também deveriam ter esse direito. Com firmeza e coragem, conseguiu convencer as autoridades e tornou-se a primeira mulher solteira a viajar sozinha como imigrante para o Brasil, ganhando destaque na imprensa e abrindo caminho para outras mulheres. Depois da aprovação, passou três meses no alojamento da Associação Rikkoukai, recebendo orientação para a viagem. Pouco antes de partir, conheceu o jovem Takeo Kimura na própria associação.

Bodas de Vinho

Takeo, Nobue e seus 8 filhos durante a comemoração de 70 anos de casados, realizada no dia 02 de maio de 2026