SINCOVAT | Sindicato do Comércio Varejista de Taubaté e Região

Empresas devem adaptar sistemas ao CNPJ alfanumérico a partir de julho

Empresas devem adaptar sistemas ao CNPJ alfanumérico a partir de julho

Novo formato não afeta negócios já existentes, mas sistemas de todos precisarão ser atualizados sob risco de paralisação

A Receita Federal vai começar a emitir, a partir de 1º de julho, o novo modelo de CNPJ alfanumérico para empresas a serem abertas. Estudos realizados pelo Fisco federal constatou que o Brasil bate recordes na criação de novos negócios, e o formato atual, com 14 números, está perto do fim, o que poderá resultar no esgotamento das combinações possíveis para novas inscrições.

Para resolver isso, o novo CNPJ continuará com 14 posições, mas, agora, vai misturar letras e números. A estrutura fica assim:

– 8 primeiros caracteres: identificam a raiz da empresa (agora, com letras);

– 4 seguintes: indicam se é matriz ou filial (agora, com letras);

– 2 últimos: continuam sendo os dígitos verificadores, apenas numéricos.

Embora as empresas já existentes não precisem trocar de número, todas — sem exceção — terão que lidar com o novo formato em algum momento. Isso acontece porque o CNPJ é a chave de identificação em praticamente todos os sistemas do País (fiscais ou cadastrais), inclusive no relacionamento entre fornecedores e clientes.

E aqui mora o perigo: a grande maioria dos softwares, bancos de dados, sistemas de faturamento, plataformas de e-commerce, ERPs (sistemas de gestão empresarial) e ferramentas de validação foi programada para aceitar apenas números.

Sem as alterações necessárias, quando uma empresa com o novo CNPJ alfanumérico tentar emitir uma nota fiscal, fechar um contrato, fazer um cadastro em um marketplace ou se integrar a um banco, o sistema pode rejeitar o registro, gerar erros de processamento ou até travar operações inteiras.

Impacto para os documentos fiscais

A mudança atinge diretamente os documentos fiscais eletrônicos, como:

  • Nota Fiscal eletrônica (NF-e);
  • Conhecimento de Transporte eletrônico (CT-e);
  • outras obrigações acessórias.

O CNPJ está dentro da chave de acesso desses documentos. Se o sistema não aceitar letras, a nota fiscal pode ser rejeitada automaticamente pelos órgãos fiscalizadores. Isso significa atraso em vendas, problemas com clientes, multas e dor de cabeça com o Fisco.

Para evitar problemas, as empresas devem revisar os sistemas desde já. As áreas de Tecnologia, Fiscal, Contábil e Administrativa devem atuar juntas para verificar:

  • campos cadastrais que só aceitem números (precisam ser ampliados para letras);
  • regras de validação de CNPJ (os algoritmos terão de ser reescritos);
  • integrações com bancos, marketplaces e órgãos públicos;
  • rotinas de emissão de notas fiscais e outros documentos;
  • relatórios gerenciais e planilhas que utilizem o CNPJ como referência;
  • mecanismos de importação e exportação de dados entre sistemas.

Além disso, as empresas devem acompanhar as atualizações feitas pelos fornecedores de software e realizar testes prévios em ambiente de homologação (um “laboratório” seguro) antes de colocar as mudanças em produção.

Prazo curto

Apesar de ter sido anunciado ainda em 2024 (Instrução Normativa RFB 2.229/2024), faltam poucos dias para julho. Quem não se preparar corre o risco de:

  • ter notas fiscais rejeitadas;
  • sofrer interrupções operacionais;
  • perder vendas por não conseguir emitir documentos;
  • lidar com problemas cadastrais com clientes e fornecedores;
  • sofrer prejuízos financeiros com correções de última hora.

Para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e o Sincovat (Sindicato do Comércio Varejista de Taubaté e região) a adoção do CNPJ alfanumérico é um passo importante no processo de modernização do ambiente de negócios, mas deve ser implementado de forma gradual e contínua. A Entidade alerta que o sucesso da transição dependerá da capacidade das empresas de antecipar adaptações e promover os ajustes necessários em seus sistemas, evitando riscos operacionais, rejeições fiscais e problemas cadastrais após a entrada em vigor do novo modelo.

Com planejamento e ações efetivas, e a participação das áreas contábeis, de gestão e de tecnologia da informação, é possível mapear todos os sistemas que usem CNPJ, testar, atualizar e treinar os colaboradores. O novo CNPJ com letras está chegando — e quem antecipar a sua preparação para modelo poderá levar vantagem competitiva. Quem não estiver adaptado deixar para última hora, correrá o risco de travar a rotina dos departamentos das empresas.