Diante de um cenário de desaceleração econômica e juros elevados, queda nas temperaturas é bem-vinda para impulsionar o movimento
Após um início de ano fraco, o varejo da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral respira com mais otimismo neste outono. De acordo com o Sincovat (Sindicato do Comércio Varejista de Taubaté e região), com a chegada das primeiras ondas de frio nos últimos dias, há um aumento natural na busca por artigos do setor de vestuário, calçados, lojas de departamentos, aquecedores elétricos entre outros produtos sazonais.
As prateleiras das lojas de vestuário já sentem o aquecimento na demanda. Jaquetas, casacos, moletons, calças de lã e acessórios como luvas, gorros e cachecóis lideram as buscas dos consumidores. No segmento de utilidades domésticas, os aquecedores elétricos, cobertores e edredons também se destacam.
O consumidor que resistiu às compras durante os meses mais quentes passa a enxergar necessidade real na aquisição de itens de proteção ao frio, e considerando o cenário macroeconômico de juros elevados, inadimplência das famílias em alta, inflação em patamar desconfortável, essa onda de frio é bem-vinda ao criar uma expansão de demanda no calendário comercial do primeiro semestre.
“A chegada do frio é um alento para o varejo. O setor registrou uma queda de 1,8% nas vendas no primeiro bimestre do ano e, agora, o consumidor que conteve os gastos, sente a necessidade de renovar o guarda-roupa, comprar um aquecedor ou preparar a casa para o inverno. Isso gera um ciclo positivo de consumo que beneficia toda a cadeia local”, destaca Dan Guinsburg, presidente do Sincovat e vice-presidente da FecomercioSP.
A queda nas temperaturas também atrai turistas para os municípios da Serra da Mantiqueira, como Campos do Jordão, Santo Antônio do Pinhal e São Bento do Sapucaí, que buscam o frio serrano, as paisagens de inverno e a gastronomia, beneficiando o varejo local.
Um ponto de atenção aos empresários é que a janela de consumo estimulada pelo frio pode ser mais curta este ano, por conta do fenômeno climático El Niño, que faz com que o período de frio intenso se concentre entre o final do outono e início do inverno, enquanto os meses de julho e agosto tendem a apresentar temperaturas acima da média.
Para o varejo, esse cenário exige ação imediata: as melhores semanas para impulsionar as vendas de inverno serão as próximas, em maio e junho. “ Os lojistas devem aproveitar esse pico de demanda e, assim, poderão compensar os efeitos da desaceleração econômica e encerrar o semestre com resultados mais equilibrados”, comenta Dan.



