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PIB do primeiro trimestre será o melhor resultado do ano; próximos meses serão mais desafiadores

PIB do primeiro trimestre será o melhor resultado do ano; próximos meses serão mais desafiadores

O resultado do Produto Interno Bruno (PIB) do primeiro trimestre é, tecnicamente, o mais forte desde o mesmo período do ano passado, rompendo uma sequência de desaceleração que marcou 2025. Ainda assim, o perfil do crescimento revela uma economia com duas faces.

De um lado, agropecuária e indústrias extrativas, segmentos menos dependentes do crédito e mais expostos ao ciclo de commodities; de outro, os serviços — maior fatia do PIB —, crescendo apenas 0,5% na margem e impedindo que o número agregado fosse mais expressivo.

A análise da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) é que este deve ser o pico de alta do PIB de 2026. Os próximos trimestres enfrentarão uma base de comparação mais elevada, juros reais ainda altos e um ambiente fiscal que merece atenção.

Basta observar que a relação dívida/PIB acaba de atingir 80% segundo o Banco Central, o que limita o espaço para estímulos e contribui para manter o custo do dinheiro alto por mais tempo.

A consequência é o endividamento crescente das famílias, à inadimplência em alta e ao aumento dos pedidos de recuperação judicial de empresas. Esse cenário, insustentável, sugere que a segunda metade de 2026 tende a ser consideravelmente mais desafiadora do que esse resultado indica.

Ainda assim, o dado que mais chama atenção, pelo lado da demanda, é a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que avançou 3,5% no trimestre — a maior variação entre todos os componentes. À primeira vista, isso poderia ser lido como uma retomada do investimento produtivo, especialmente após as quedas de 3,5% e 3,1% no terceiro e quarto trimestres de 2025.

No entanto, o resultado é consequência de uma base de comparação bastante deprimida: a taxa de investimento em relação ao PIB recuou para 16,5%, contra 17,6% no mesmo período do ano anterior. O nível estrutural de formação de capital no Brasil segue baixo demais para sustentar um crescimento robusto de forma consistente.